segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Ribeiro Telles defendeu em Querença o "regresso ao campo"


O mundo rural prestou ontem homenagem ao arquitecto Gonçalo Ribeiro Telles em Querença - uma aldeia que há cerca de três meses acolheu um grupo de nove jovens licenciados e com mestrados da Universidade do Algarve, com a missão de "dar a volta" ao estado de despovoamento do interior algarvio, passando a viver e trabalhar na comunidade local.
A apresentação da fotobiografia de Ribeiro Telles, da autoria de Fernando Pessoa, um arquitecto paisagista que vive no Algarve e tem participado na defesa do ambiente, foi o pretexto da homenagem, na sede da Fundação Manuel Viegas Guerreiro.
Em Querença, Ribeiro Telles manifestou-se "muito satisfeito" com o trabalho dos jovens universitários. "Tomara eu que em todas as freguesias deste país houvesse um projecto como o de Querença, infelizmente não existe. (...) Portugal vive um problema gravíssimo de despovoamento." O projecto na aldeia recebeu esta semana um subsídio no valor de 12 mil euros da Fundação Calouste Gulbenkian. "É o reconhecimento do trabalho pioneiro que está a ser desenvolvido", comentou António Covas, coordenador científico do projecto.
A presença de Ribeiro Telles no interior algarvio permitiu ainda lançar um olhar cruzado sobre o que se passa na orla costeira, em contraponto à serra abandonada. "Assistimos a uma pressão tremenda do imobiliário no litoral e a um interior desertificado", começou por constatar o presidente da Câmara de Loulé, Seruca Emídio, pedindo ao antigo ministro que há 40 anos lançou as leis de bases do ordenamento do território e do ambiente para que "aponte" um novo rumo. A resposta, previsível, foi a defesa do "regresso ao campo".
A criação das hortas urbanas - uma cruzada que o arquitecto paisagista encetou há décadas - é uma ideia que já foi adoptada pelos decisores políticos. "Mas isso foi um preâmbulo", afirmou ao PÚBLICO, sublinhando que "agora temos de voltar ao problema da agricultura." No caso do Algarve, lembrou ainda que os desequilíbrios que se vivem na região, não são fruto do turismo: "O problema foi o planeamento."
Idálio Revez/Público

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

BAIRRO COM 4 MIL CASAS A ENERGIA SOLAR

Espírito Santo, no Brasil, terá o primeiro bairro alimentado com energia solar. Até abril de 2012, as primeiras duas mil casas serão entregues mas, ao todo, serão quatro mil casas contempladas.
Ao todo, serão quatro mil casas no bairro Serra Dourada I, II e III e 240 apartamentos num conjunto habitacional com 15 prédios, no bairro Itanguá, em Cariacica, que utilizarão a energia solar de forma inteligente.
Segundo o G1, a previsão é que, até abril de 2012, as primeiras duas mil casas sejam entregues neste sistema de energia renovável.
A instalação de painéis solares para aquecimento de água já começaram e permitiram substituir os chuveiros elétricos existentes.
Os chuveiros são responsáveis por 10 por cento do consumo de energia elétrica no Brasil e, além da economia que os painéis solares vão permitir, a energia conseguida, vai ser utilizada noutras coisas.
As autoridades brasileiras querem alargar os projetos pilotos a bairros carentes.
TV NET

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

ESTARREJA RECOLHEU MAIS DE CINCO MIL LITROS DE ÓLEOS ALIMENTARES USADOS

Os dez oleões instalados nas ruas de Estarreja recolheram um total de 5023 litros de óleos alimentares usados, para reciclagem, desde que há dois anos começou a funcionar o sistema de recolha e valorização daqueles resíduos no município.
De acordo com um comunicado da autarquia, os dez oleões estão distribuídos por todas as freguesias do concelho e recentemente foram instalados mais dois contentores, desta vez na Urbanização da Póvoa de Baixo e no Largo de S. Sebastião, Avanca.
A entrega de óleo usado nos contentores municipais é feita em garrafas de plástico de litro e meio ou garrafões de cinco litros, devidamente fechados.
“É com a soma deste pequenos gestos e novos hábitos que todos contribuímos para o nosso bem-estar e para o desenvolvimento com futuro”, sublinha uma nota da autarquia.

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

NUNO SÁ GANHA PRÉMO DE FOTOGRAFIA

Um tubarão azul nas águas dos Açores, junto ao banco submarino “Condor”, deu a Nuno Sá o primeiro prémio da categoria “Grande Angular” do maior concurso mundial de fotografia aquática, o Epson World Shootout Underwater Photo Grand Prix 2011.
Além desta distinção, o fotógrafo, de 34 anos, recebeu um quarto prémio com uma imagem de raias, no banco submarino “Princesa Alice”, tirada também nas águas dos Açores.
Nuno Sá concorreu com 226 fotógrafos de 27 países, que apresentaram mais de 1500 imagens em sete categorias – Amadores, Destinos de Mergulho, Conservação Ambiental, Água Doce, Macro, Grande Angular e Destroços –, captadas durante o mês de Agosto, durante o evento “World Shoot-Out”. Nesse período, fotógrafos dos quatro cantos do planeta mergulharam à procura das belezas dos oceanos, lagos, rios e até mesmo debaixo do gelo.
A fotografia do tubarão azul, captada nas águas do Faial, deu o prémio a Nuno Sá, no valor de 2500 dólares (cerca de 1900 euros).
Nuno Sá, fotógrafo profissional desde 2004, especializou-se no tema da vida selvagem marinha e actualmente faz parte da equipa do Wild Wonders of Europe, a maior iniciativa europeia de fotografia natureza.
Em Outubro passado, o mesmo fotógrafo foi distinguido com um “alto louvor” no concurso Veolia Environment Wildlife Photographer of the Year 2011, com a imagem “Racing blue”, de um tubarão azul ao largo do Faial. Já na edição de 2008, Nuno Sá recebeu um “alto louvor” na categoria Animals in their Environment atribuído à fotografia “Orcas at Sunset”.
 HELENA GERALDES/PÚBLICO

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

PAN DEBATE DIREITOS DOS ANIMAIS, FUTURO DE PORTUGAL E FEDERALISMO E ECOLOGIA NA EUROPA


No passado dia 06 de Dezembro decorreu o I PANdebates, que contou com a presença de Paulo Borges, Luis Queirós e Viriato Soromenho Marques como oradores convidados. Perante uma assistência de cerca de 70 pessoas, foram debatidos temas como os direitos dos animais, Portugal: que futuro? e o federalismo e ecologia na Europa.
Paulo Borges iniciou o debate com o tema "A Questão dos Direitos dos Animais", cujo o resumo da sua intervenção publicamos:
"O preconceito actualmente dominante considera os animais não-humanos propriedade dos animais humanos, sacrificando 60 biliões de animais por ano para fins humanos de alimentação, vestuário, diversão, experiências laboratoriais e trabalho. Na forma como estes são tratados ignora-se na maior parte dos casos a sua qualidade de seres sencientes, capazes de experimentar, tal como os animais humanos, prazer e dor físicos e psicológicos, bem como a sua aspiração à segurança e bem-estar. Vão existindo cada vez mais excepções a esta visão, mas de uma forma geral constata-se o não reconhecimento jurídico dos direitos dos animais.
O desenvolvimento do humanismo levou o homem a pensar-se por oposição ao animal, concebendo e desenvolvendo uma ideia e imagem de si cada vez mais distante deste, até à noção de separação entre o homem e o animal, chegando-se, com o filósofo francês Descartes, à paradoxal recusa ao animal da condição de ser animado. O animal foi sobretudo pensado em função do homem, num processo que reflecte também a dificuldade humana de lidar com a sua própria animalidade, que procura ignorar, amputar ou exorcizar como uma dimensão incómoda de si mesmo.

A mesma ideologia humanista que desconsiderou e subalternizou o animal serviu também para discriminar amplos sectores da própria população humana que, por não corresponderem a um dado padrão de racionalidade e humanidade, foram desumanizados, animalizados e assim diabolizados. Por essa via legitimou-se e legitima-se ainda a desconsideração, subordinação e violência exercida sobre diversos grupos humanos, como os “bárbaros”, certas etnias, as mulheres, os servos, o povo, os doentes mentais, etc.

A institucionalização do antropocentrismo nos códigos jurídicos, nas instituições políticas e científicas e nas representações e práticas comuns da cultura europeia-ocidental traduziu-se num crescente comportamento da humanidade em relação ao mundo natural e aos seres vivos como se desde sempre estes se resumissem a recursos e instrumentos para o bem-estar e o usufruto ilimitado do homem. Tal atitude sofre de uma falta de perspectiva mais ampla a respeito da história do universo, do planeta e do homem. De acordo com Carl Sagan, se considerarmos a idade do Universo como um dia de vinte e quatro horas, a presença do homem manifesta-se nos cinco últimos segundos e a explosão técnica e demográfica ocupa o último centésimo de segundo. Todavia, o homem comporta-se como um recém-chegado à festa da vida que de repente imagina que a festa foi organizada para si, que aí vai ficar para sempre e que tem o direito de fazer o que quiser da casa, dos seus recursos e dos outros convidados, pondo-os ao seu serviço, explorando-os e destruindo-os a seu bel-prazer. Quem pensa e se comporta assim somos todos nós, activa ou passivamente, directa ou indirectamente, pela cumplicidade de não ver ou querer ver as consequências que este paradigma de pensamento e comportamento está a ter sobre o planeta, os seres vivos e nós próprios.

Vivemos hoje a crise da visão em que o homem se considera centro e dono do mundo, reduzindo a natureza e os seres vivos e sencientes a meios destinados a servir fins e interesses humanos. A filosofia, a ciência e a tecnologia modernas confiaram no progresso geral e ilimitado da humanidade mediante a exploração ilimitada dos recursos considerados ilimitados do mundo natural e dos seres vivos, conduzindo ao actual pesadelo da manutenção da guerra e do aumento da fome, dos desníveis crescentes entre pobres e ricos, da crise económico-financeira, da destruição da biodiversidade, do sofrimento humano e animal, da iminência de colapso ecológico e da gritante incapacidade da sociedade de produção e consumo satisfazer a humana aspiração à paz e à felicidade, com o aumento do medo, violência, criminalidade e toxicodependência, stresse e ansiedade e recurso a sedativos e antidepressivos.

A exploração ilimitada de recursos naturais finitos em conjunto com a dos animais não-humanos para fins alimentares, (pseudo-)científicos, de trabalho, vestuário e divertimento é causa de grande desequilíbrio ecológico e de enorme sofrimento. A desconsideração ética do mundo natural e da vida animal dificulta a evolução moral da humanidade mas também a prejudica, prejudicando o planeta, o que é sobretudo evidente nos efeitos do consumo massivo de carne industrial. Além do sofrimento dos animais, criados em autênticos campos de concentração, além da nocividade da sua carne, saturada de toxinas, antibióticos e hormonas de crescimento, a pecuária intensiva é um mau negócio com um imenso impacte ecológico: toda a proteína vegetal hoje produzida no mundo para alimentar animais para consumo humano poderia, com medidas geopolíticas adequadas, nutrir directamente dois mil milhões de pessoas, quase um terço da população mundial, enquanto mil milhões padecem fome. Por isso a ONU considera urgente uma dieta sem carne nem lacticínios para alimentar de forma sustentável uma população que deve atingir mais de nove biliões em 2050.

A questão dos direitos dos animais insere-se na discussão mais ampla sobre as consequências do antropocentrismo para o planeta, os homens e os animais. Stéphane Ferret mostrou recentemente que a causa da crise ecológica reside na desconsideração ética para com o mundo natural, onde se incluem os animais.

A proposta passa portanto por um novo modelo de humanidade e de ser homem, que não se traduza no domínio, instrumentalização e exploração do mundo natural e dos seres sencientes, mas antes por responsabilidade pelo seu serviço e cuidado desinteressados. Trata-se de uma nova perspectiva mental, ética e civilizacional que reconheça que as agressões aos animais e à natureza, para além de nocivas em si, são também agressões da humanidade a si mesma. Uma perspectiva que não separe as causas humana, animal e ecológica, que reconheça valor intrínseco e não apenas instrumental aos seres sencientes e ao mundo natural, consagrando juridicamente o direito dos seres sencientes à vida, liberdade e integridade física e psicológica e o direito do mundo natural à preservação, integridade e harmonia da qual depende a própria vida humana.

De outro modo, sem que o homem seja responsável pelo bem de tudo e de todos, não parece ser possível a existência de um futuro e um futuro digno para os homens e para inúmeras espécies animais e vegetais no planeta Terra."

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Dezenas de canoas na rua contra construção de mini-hídrica no rio Mondego

Dezenas de canoas foram colocadas junto aos Paços do Concelho de Coimbra, numa acção simbólica para contestar a anunciada construção de uma mini-hídrica no rio Mondego a montante da cidade.
Com a deposição das canoas na via pública, na Praça 8 de Maio e na rua Visconde da Luz, os organizadores do protesto, incluindo empresas de animação turística, quiseram demonstrar “o que será o futuro próximo” da sua actividade caso a mini-hídrica seja construída.
“Não sabemos o que fazer depois com as canoas”, disse Paulo Silva, da Plataforma Mondego Vivo, um movimento que rejeita a construção da mini-hídrica e do qual fazem parte autarquias, colectividades, empresas e outras instituições dos concelhos de Coimbra e Penacova.
Ao descarregar as canoas na Baixa da cidade, a Plataforma Mondego Vivo pretendeu demonstrar o “impacto negativo” que a obra terá “no tecido económico da região”.
A manifestação contou com a presença das seis empresas de animação turística que “operam de forma regular” no rio Mondego, além de algumas das dez que o fazem com menos regularidade.
Nos últimos três anos, “o volume de negócios bruto” daquelas seis firmas locais rondou 1,5 milhões de euros, correspondendo à participação de 100 mil pessoas.
“As seis empresas juntas pagam por ano em contribuições ao Estado uma média total de 97.262 euros”, indicou Paulo Silva. Estas empresas de animação turística empregam 35 pessoas, “a trabalhar directamente nesta actividade comercial”.
Em 2008, por exemplo, a canoagem no rio Mondego e as outras áreas de actividade em torno deste recurso natural (transportes, restauração e alojamento) atingiram um volume de negócios próximo de um milhão de euros, segundo estimativas da Plataforma Mondego Vivo.
“É inviável destruir este sector de actividade para produzir apenas nove megawatts de electricidade”, disse Paulo Silva.
Segundo o movimento, a nova barragem “anula os resultados” da escada de peixe que foi este ano construída em Coimbra para permitir a passagem da lampreia e diversos peixes característicos da gastronomia regional que vão desovar no rio Mondego a montante da cidade.
Paulo Silva realçou que o Estado gastou quatro milhões de euros na escada de peixe. “A luta vai continuar”, acrescentou.
O momento foi aproveitado pelos organizadores para recolher assinaturas para a petição que visa levar o assunto à Assembleia da República.
Além dos prejuízos para a actividade turística e o ambiente, Paulo Silva disse que a obra teria outros impactos negativos na economia e a nível social.
LUSA/PÚBLICO

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

4º Encontro Nacional de Riscos, Segurança e Fiabilidade

A Secção Portuguesa da Associação Europeia de Segurança e Fiabilidade (ESRA) vai promover, de 15 a 17 de Maio, no Centro de Congressos do Instituto Superior Técnico, em Lisboa, o 4º Encontro Nacional com um âmbito semelhante ao das conferências anuais da Associação Europeia (ESREL) e que se destina a permitir um encontro de pessoas da universidade e organizações de investigação com pessoas da indústria e serviços interessados nos aspectos de Riscos, Segurança e Fiabilidade, nas diferentes facetas que podem tomar e nos vários sectores da indústria e serviços em que se possam desenvolver.
Os primeiros três Encontros Nacionais de Riscos, Segurança e Fiabilidade, realizados no IST em 2005, 2007 e 2009, reuniram em média 200 participantes, repartidos em cerca de 40% de instituições académicas, 50% da indústria e serviços e 10% de outros. Nos 3 dias de conferência os programas tiveram cerca de 90 comunicações que foram apresentadas e incluídas nos respectivos livros das conferências.
Este encontro nacional, já bem estabelecido na comunidade portuguesa, cobre vários tópicos relacionados com a segurança, fiabilidade e risco, organizados em sessões técnicas como: riscos públicos, segurança nos transportes, segurança ocupacional, fiabilidade e manutenção e riscos naturais.

Descoberto novo planeta "habitável"

A NASA confirmou esta terça-feira a existência de um planeta na zona orbital habitável do sistema planetário Kepler 22, a 600 anos-luz da Terra, no qual poderá haver condições para a formação de água em estado líquido.
Sobe para três o número de planetas fora do Sistema Solar em zona orbital habitável, com esta descoberta. Segundo as agências internacionais de notícias, é a primeira vez que a agência espacial norte-americana confirma a existência de um planeta numa zona orbital habitável fora do Sistema Solar.
Esta zona é a região perto de uma estrela que tem as temperaturas adequadas para que exista água líquida, principal componente da vida na Terra. O novo planeta chama-se Kepler 22-b e foi detectado pela sonda com o mesmo nome, é maior do que a Terra, mas desconhece-se ainda a sua composição.
Para os cientistas, no entanto, está cada vez mais próxima a descoberta de um planeta parecido com a Terra. O Kepler 22-b orbita em 290 dias uma estrela semelhante ao Sol, mas mais pequena e fria.
Lançada em Março de 2009, a sonda Kepler tem por missão procurar planetas-irmãos da Terra susceptíveis de ter vida, observando mais de cem mil estrelas parecidas com o Sol.
Durante dois anos foram identificados 2.326 candidatos a planetas, dos quais 207 com um tamanho aproximado da Terra e 680 de maiores dimensões.
O Centro francês de Investigação Científica anunciou, em Maio, que um dos planetas que orbita a estrela-anã Gliese 581 poderá revelar-se 'habitável', com um clima propício à presença de água líquida e de vida. Já em Agosto, astrónomos suíços confirmaram a existência de um outro exoplaneta (planeta fora do Sistema Solar) em zona orbital habitável, o HD 85512b.

Partilha de carros e portagens urbanas são alternativas do Governo para enfrentar alterações climáticas


O Ministério do Ambiente está decidido a cortar na construção de novos parques eólicos e barragens, fazendo da eficiência energética a grande opção a ter em conta para o país. Segunda a ministra Assunção Cristas, um dos sectores “chave” para esta nova estratégia será a dos transportes, pelo que será estudada a implementação de um sistema de partilha de automóveis, não estando de fora a possível instalação de portagens urbanas.
Num dia em que recomeçam as negociações internacionais em Durban, na África do Sul, para se chegar a um acordo sobre como fazer face às alterações climáticas, o jornal Público deu a conhecer a estratégia do Governo português para resolver o problema, um plano que pretende substituir, para o ano que vem, o actual Programa Nacional para as Alterações Climáticas (PNAC).
Entre as medidas que a tutelar da pasta da Agricultura, Mar, Ambiente e Ordenamento do Território pretende colocar em prática está o sistema de car-pooling, ou seja, a partilha de automóveis por quem se desloca nas cidades. Outra das soluções poderá ser a criação de portagens urbanas: “É uma questão que está no nosso menu, embora, se compararmos com estratégias como o car-pooling, me pareça mais difícil de implementar”, explicou Assunção Cristas.
Contudo, pouco se sabe ainda sobre o que o executivo PSD/CDS-PP pretende realmente implementar, embora a ministra tenha dado a entender que, e para o sector dos transportes, “os bons comportamentos relacionados com [o] uso do automóvel privado” serão incentivados, sendo esta uma área em que ministra assegura que o Governo vai “apresentar, com certeza, medidas relevantes”.
Com esta nova estratégia, Portugal desiste das energias renováveis, pois deixa de apoiar a construção de mais parques eólicos e barragens. A ênfase está, portanto, em maximizar a eficiência energética, uma aposta ditada pela falta de dinheiro.  Tal como resume Assunção Cristas, “numa primeira fase, numa altura em que o país tem poucos recursos, vamos procurar avançar com soluções mais baratas”.
ARQUITECTURAS

Segundo o secretário-geral da ONU, o futuro do planeta está em jogo

Ban Ki-moon diz que o futuro do planeta está em jogo. Secretário-geral da ONU foi frontal na Cimeira do Clima, em Durban.
Ban Ki-moon, secretário-geral da ONU, alertou para o facto do futuro do nosso planeta estar em risco. A declaração direta foi feita perante as quase duzentas delegações no âmbito da Cimeira do Clima que, por estes dias, tem lugar em Durban, na África do Sul.
O objetivo desta reunião é pôr um termo às alterações climáticas provocadas pela ação humana no planeta.
Ban Ki-moon pediu aos delegados para aprovarem um segundo termo de compromisso de Kioto, a fim de evitar um vazio na luta contra as alterações climáticas e recordou ainda que, segundo os cientistas, as emissões de gases de efeito de estufa têm de ser reduzidas para a metade até ao ano 2050, se quisermos evitar o aumento de mais de 2ºC nas temperaturas.
O secretário-geral da ONU reconheceu que talvez nao se consiga, com esta cimeira, chegar a um acordo consensual e decisivo sobre a questão do clima e desculpou esta situação com a crise económica mundial, as diferenças políticas e estratégicas dos países.
Ainda assim, Ban Ki-moon afirmou que "devemos adotar passos concretos em direção a uma política climática mais sólida e manter o impulso para a próxima cimeira" que vai ter lugar no ano que vem no Qatar. 
TVNET

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Temperatura de 2011 entre mais altas de sempre

A temperatura global verificada em 2011 está entre as 10 mais elevadas desde que há registos e várias regiões foram afectadas por episódios de chuva abundante, como aconteceu em França, Itália ou Espanha, refere a Organização Meterológica Mundial.
 


Este ano verificaram-se também as temperaturas mais elevadas desde o fenómeno 'La Niña', segundo a informação divulgada pelo Instituto de Meteorologia, acrescentando que desde 1997 ocorreram os 13 anos mais quentes.
A extensão do Ártico foi a segunda menor já registada e o volume do gelo naquela região foi o menor de sempre.
Estas são algumas das conclusões já avançadas da Declaração Anual Provisória da Organização Meteorológica Mundial (OMM) sobre o estado do clima global, um documento que faz uma avaliação da temperatura e um resumo do tempo e dos eventos climáticos mais marcantes em 2011.
A OMM estima que, entre Janeiro e Outubro, a temperatura global do ar combinada à superfície do mar e à superfície do solo é de 0,41 graus centígrados (ºC), ou seja, 0,11°C acima da média anual que é de 14ºC, para o período 1961-1990.
Este é o 10º ano mais quente desde o início dos registos, em 1850, aponta o Instituto de Meteorologia.
O clima e as alterações climáticas estão a ser analisados na conferência das Nações Unidas, em Durban, um evento que termina no final da semana e que junta responsáveis governamentais de todo o mundo, incluindo a ministra portuguesa responsável pelo Ambiente, Assunção Cristas.
O objectivo do encontro é reunir consenso entre os países para definir as metas de redução dos gases com efeito de estufa já que o protocolo de Quioto está em vigor até 2012.
A Declaração da OMM refere alguns países do sul da Europa, como França, Itália, Espanha, para exemplificar as regiões afectadas por elevadas quantidades de pluviosidade em curtos espaços de tempo.
Segundo os especialistas, episódios extremos como cheias e secas vão ser cada vez mais frequentes em vários pontos do mundo devido às alterações climáticas.
Ao mesmo tempo que se registam chuvas abundantes em algumas alturas do ano, também se verificam em outros meses tempo seco, como aconteceu na Europa ocidental durante a primavera, a mais seca desde que há registos. França e Holanda atingiram recordes, segundo a OMM.
Alguns pontos de França e Reino Unido contabilizaram menos de 20 milímetros de chuva, especifica a organização.
Entre os países com recordes de temperaturas na primavera de 2011, estão Suíça, com 3,5ºC acima da média, França (2,5ºC), Espanha (2,3ºC) e Reino Unido (2,1ºC).
A chuva voltou a estes países no verão, antes do regresso do tempo seco no Outono. A OMM aponta alguns exemplos de níveis recorde de seca na Primavera e de chuva no Verão, como Holanda.
Em Portugal, o mês de Outubro foi o mais quente dos últimos 80 anos, desde que se iniciaram os registos, situação que se deveu "em grande medida à influência de uma massa de ar quente e seco transportado do Norte de África e com trajeto sobre o Mediterrâneo e a Península Ibérica".
Segundo o Instituto, Outubro foi o mais quente desde 1931, com um valor médio da temperatura máxima do ar de 25,96º C, mas registou um valor inferior ao normal.
JN

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Abaixo-assinado reúne 1,5 milhões de assinaturas contra alterações ao Código Florestal

Representantes do Comité de Defesa das Florestas e do Desenvolvimento Sustentável apresentaram hoje um abaixo-assinado com 1,5 milhões de assinaturas contra as alterações do projecto do novo Código Florestal do Brasil.
O documento foi entregue ao secretário-geral da Presidência da República, ministro Gilberto Carvalho, publicou a Agência Brasil. O comité responsável pela recolha das assinaturas reúne organizações como o Greenpeace, o WWF Brasil e a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), entre outras. Além de entregarem a petição, os ambientalistas exigiram a mobilização dos partidos que apoiam o governo para impedir a aprovação de um texto que prejudique a preservação ambiental.
A ex-ministra brasileira do Ambiente, Marina Silva, frisou que os partidos que apoiam o governo precisam de se mobilizar para "fazer prevalecer os compromissos assumidos pela Presidente" Dilma Rousseff. "Isso até agora não aconteceu, como tínhamos expectativa", disse a ex-ministra e também candidata às eleições presidenciais de 2010, reforçando que a mobilização sempre acontece quando o assunto é do interesse do governo.
O Senado brasileiro deverá votar amanhã o projeto que altera a legislação de proteção das florestas. O texto original sofreu várias modificações durante a sua passagem pela Câmara dos Deputados para atender às reivindicações dos produtores rurais, o que gerou protestos entre os ambientalistas. Caso os senadores não atendam às reivindicações, os ambientalistas voltarão à sua campanha para pressionar Dilma Rousseff a vetar os pontos da lei considerados prejudiciais para o meio ambiente.
Entre os aspetos criticados estão a redução das áreas de preservação permanente nas ribeiras e a não punição aos agricultores que destruíram floresta até 2008. Os produtores rurais, porém, argumentam que a legislação brasileira de preservação ambiental é uma das mais rigorosas do mundo, o que lhes tira competitividade.
LUSA/DN

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Desmantelar centrais nucleares vai custar à Suíça mais de 16 mil milhões de euros

Os custos ligados ao desmantelamento das cinco centrais nucleares na Suíça foram estimados em 20,7 mil milhões de francos suíços (16,8 mil milhões de euros) e os trabalhos deverão durar 20 anos, anunciaram ontem as autoridades helvéticas.
O estudo, publicado pelo Departamento Federal da Energia, reviu em alta os custos em relação à estimativa anterior, datando de 2006.
A fase de pós-exploração, que deverá durar cinco anos, começa imediatamente depois da paragem definitiva da central e prevê a transferência do combustível para um armazém temporário. O seu custo está estimado em 1,7 mil milhões de francos suíços (cerca de 1,3 mil milhões de euros).
A etapa mais longa, entre 15 e 20 anos, é a da desmontagem e desmantelamento completo das centrais nucleares e do local armazenamento de Würenlingen, no Norte do país. Custará três mil milhões de francos suíços (cerca de 2,4 mil milhões de euros).
Com custos estimados em 16 mil milhões de francos suíços (13 mil milhões de euros), a etapa mais cara será a da gestão dos resíduos radioactivos. Inclui a construção e exploração de instalações de gestão do lixo nuclear, bem como o seu reprocessamento.
No final de Setembro, o Parlamento suíço aprovou a saída progressiva do nuclear, até 2034, numa reacção ao acidente na central de Fukushima, no Japão. A Suíça tem cinco reactores nucleares. De acordo com as recomendações emitidas no final de Maio pelo Governo, o reactor de Beznau I deverá ser desligado da rede em 2019, os de Beznau II e Mühleberg em 2022, o de Gösgen em 2029 e o de Leibstadt em 2034.
AFP
PÚBLICO

13 milhões de rolhas fizeram nascer 13 mil árvores em 3 anos

A recolha de mais de 13 milhões de rolhas de cortiça possibilitou a plantação de 13 mil novas árvores em Portugal. Os números são da Quercus, patrocinadora do projecto Green Cork – Reciclagem de Rolhas de Cortiça, em parceria com a Corticeira Amorim, o Continente e a Biological. O objectivo é não só a transformação das rolhas usadas noutros produtos, mas, também, com o seu esforço de reciclagem, permitir o financiamento de parte do Programa “Floresta Comum”, que utilizará exclusivamente árvores da floresta autóctone, entre os quais o sobreiro.
O projecto foi construído tendo por base a utilização de circuitos de distribuição (hipermercados e centros comerciais) já existentes, o que permite obter um sistema de recolha sem custos adicionais, de modo a que todas as verbas sejam destinadas à plantação de árvores. As rolhas de cortiça recicladas não são utilizadas para produzir novas rolhas, mas têm outras aplicações que vão desde a indústria automóvel, à construção civil ou aeroespacial, nomeadamente em isolamentos que substituem e se tornam mais competitivos do que aos seus equivalentes sintéticos.
Lançado em 2008, o projecto tem «angariado» as escolas como dinamizadores deste tipo de reciclagem, recebendo um «rolhinhas» (contentor específico) e várias sessões de sensibilização e formação. De acordo com o Relatório Green Cork de 2010, em 2009 apenas 250 escolas estavam inscritas neste programa, valor que subiu para as 1500 em 2010. Para o ano lectivo em curso as inscrições ainda estão em curso até dia 2 de Dezembro.
Tendo-se já afirmado como um projecto de sucesso, os responsáveis do Green Cork perspectivam o reforço de actuação local, através da criação de incentivos para os municípios de modo a que integram a reciclagem de rolhas de cortiça nas fileiras de recolha selectiva municipal. Os incentivos poderão passar pela entrega de árvores gratuitamente, no âmbito do alargamento do projecto Criar Bosques, também da Quercus. Outra vertente em análise é a internacionalização do projecto para Espanha, criando numa rede de recolha semelhante através da criação de parcerias.

Lúcia Duarte