Com a deposição das canoas na via pública, na Praça 8 de Maio e na rua Visconde da Luz, os organizadores do protesto, incluindo empresas de animação turística, quiseram demonstrar “o que será o futuro próximo” da sua actividade caso a mini-hídrica seja construída.
“Não sabemos o que fazer depois com as canoas”, disse Paulo Silva, da Plataforma Mondego Vivo, um movimento que rejeita a construção da mini-hídrica e do qual fazem parte autarquias, colectividades, empresas e outras instituições dos concelhos de Coimbra e Penacova.
Ao descarregar as canoas na Baixa da cidade, a Plataforma Mondego Vivo pretendeu demonstrar o “impacto negativo” que a obra terá “no tecido económico da região”.
A manifestação contou com a presença das seis empresas de animação turística que “operam de forma regular” no rio Mondego, além de algumas das dez que o fazem com menos regularidade.
Nos últimos três anos, “o volume de negócios bruto” daquelas seis firmas locais rondou 1,5 milhões de euros, correspondendo à participação de 100 mil pessoas.
“As seis empresas juntas pagam por ano em contribuições ao Estado uma média total de 97.262 euros”, indicou Paulo Silva. Estas empresas de animação turística empregam 35 pessoas, “a trabalhar directamente nesta actividade comercial”.
Em 2008, por exemplo, a canoagem no rio Mondego e as outras áreas de actividade em torno deste recurso natural (transportes, restauração e alojamento) atingiram um volume de negócios próximo de um milhão de euros, segundo estimativas da Plataforma Mondego Vivo.
“É inviável destruir este sector de actividade para produzir apenas nove megawatts de electricidade”, disse Paulo Silva.
Segundo o movimento, a nova barragem “anula os resultados” da escada de peixe que foi este ano construída em Coimbra para permitir a passagem da lampreia e diversos peixes característicos da gastronomia regional que vão desovar no rio Mondego a montante da cidade.
Paulo Silva realçou que o Estado gastou quatro milhões de euros na escada de peixe. “A luta vai continuar”, acrescentou.
O momento foi aproveitado pelos organizadores para recolher assinaturas para a petição que visa levar o assunto à Assembleia da República.
Além dos prejuízos para a actividade turística e o ambiente, Paulo Silva disse que a obra teria outros impactos negativos na economia e a nível social.
LUSA/PÚBLICO
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