O mundo rural prestou ontem homenagem ao
arquitecto Gonçalo Ribeiro Telles em Querença - uma aldeia que há cerca
de três meses acolheu um grupo de nove jovens licenciados e com
mestrados da Universidade do Algarve, com a missão de "dar a volta" ao
estado de despovoamento do interior algarvio, passando a viver e
trabalhar na comunidade local.
A apresentação da fotobiografia de Ribeiro Telles, da autoria de Fernando Pessoa, um arquitecto paisagista que vive no Algarve e tem participado na defesa do ambiente, foi o pretexto da homenagem, na sede da Fundação Manuel Viegas Guerreiro.
Em Querença, Ribeiro Telles manifestou-se "muito satisfeito" com o trabalho dos jovens universitários. "Tomara eu que em todas as freguesias deste país houvesse um projecto como o de Querença, infelizmente não existe. (...) Portugal vive um problema gravíssimo de despovoamento." O projecto na aldeia recebeu esta semana um subsídio no valor de 12 mil euros da Fundação Calouste Gulbenkian. "É o reconhecimento do trabalho pioneiro que está a ser desenvolvido", comentou António Covas, coordenador científico do projecto.
A presença de Ribeiro Telles no interior algarvio permitiu ainda lançar um olhar cruzado sobre o que se passa na orla costeira, em contraponto à serra abandonada. "Assistimos a uma pressão tremenda do imobiliário no litoral e a um interior desertificado", começou por constatar o presidente da Câmara de Loulé, Seruca Emídio, pedindo ao antigo ministro que há 40 anos lançou as leis de bases do ordenamento do território e do ambiente para que "aponte" um novo rumo. A resposta, previsível, foi a defesa do "regresso ao campo".
A criação das hortas urbanas - uma cruzada que o arquitecto paisagista encetou há décadas - é uma ideia que já foi adoptada pelos decisores políticos. "Mas isso foi um preâmbulo", afirmou ao PÚBLICO, sublinhando que "agora temos de voltar ao problema da agricultura." No caso do Algarve, lembrou ainda que os desequilíbrios que se vivem na região, não são fruto do turismo: "O problema foi o planeamento."
Idálio Revez/Público
A apresentação da fotobiografia de Ribeiro Telles, da autoria de Fernando Pessoa, um arquitecto paisagista que vive no Algarve e tem participado na defesa do ambiente, foi o pretexto da homenagem, na sede da Fundação Manuel Viegas Guerreiro.
Em Querença, Ribeiro Telles manifestou-se "muito satisfeito" com o trabalho dos jovens universitários. "Tomara eu que em todas as freguesias deste país houvesse um projecto como o de Querença, infelizmente não existe. (...) Portugal vive um problema gravíssimo de despovoamento." O projecto na aldeia recebeu esta semana um subsídio no valor de 12 mil euros da Fundação Calouste Gulbenkian. "É o reconhecimento do trabalho pioneiro que está a ser desenvolvido", comentou António Covas, coordenador científico do projecto.
A presença de Ribeiro Telles no interior algarvio permitiu ainda lançar um olhar cruzado sobre o que se passa na orla costeira, em contraponto à serra abandonada. "Assistimos a uma pressão tremenda do imobiliário no litoral e a um interior desertificado", começou por constatar o presidente da Câmara de Loulé, Seruca Emídio, pedindo ao antigo ministro que há 40 anos lançou as leis de bases do ordenamento do território e do ambiente para que "aponte" um novo rumo. A resposta, previsível, foi a defesa do "regresso ao campo".
A criação das hortas urbanas - uma cruzada que o arquitecto paisagista encetou há décadas - é uma ideia que já foi adoptada pelos decisores políticos. "Mas isso foi um preâmbulo", afirmou ao PÚBLICO, sublinhando que "agora temos de voltar ao problema da agricultura." No caso do Algarve, lembrou ainda que os desequilíbrios que se vivem na região, não são fruto do turismo: "O problema foi o planeamento."
Idálio Revez/Público
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